Quarta-feira, Maio 30, 2012

O caso da "secretas": "back to basics"

Ora vamos lá tentar afastar um pouco o ruído que tem envolvido o caso das "secretas", demasiado centrado, nos últimos dias, nas "pressões" de Miguel Relvas (não que não sejam importantes...), e tentar centrar-mo-nos naquilo que é essencial e está a montante, que determinou, portanto, todo este desencadear de factos e emoções. E aí chegados temos de concluir uma coisa bem simples: segundo tudo leva a crer, estamos perante um caso de utilização de meios públicos, pertencentes ao Estado, à comunidade, para fins pessoais e privados, não substancialmente diferente de quando alguém se apropria de dinheiro ou bens do Estado em proveito próprio ou de terceiros. Quanto a mim, que não sou jurista, um caso puro e simples de crime de "peculato". Pior: alguém se apoderou de uma parte do aparelho de Estado (os Serviços de Inteligência) para, além dos utilizar em proveito seu e de privados, violar princípios básicos do Estado de Direito Democrático, como o são o direito à privacidade e intimidade, outro crime de extrema gravidade. E, se quiserem, pior ainda: tendo como circunstância agravante o facto de se tratarem de serviços de natureza muito particular, destinados à defesa e segurança do Estado Democrático (de todos nós, portanto) e onde a confidencialidade e discrição das actuações deve constituir norma intransigente. Se para tal acção criminosa (repito: acção criminosa) os agentes do crime contaram com a cumplicidade de um ou mais membros deste ou de governos anteriores, é caso para se investigar, mas convenhamos que os indícios e as mentiras são, por si só, aterradores. 

Quanto ao ministro Relvas, se se vier a provar ameaçou uma jornalista do "Público" com a divulgação de assuntos da sua vida privada, estamos, neste assunto, e ainda assim, perante o menos grave dos crimes, mas ainda assim crime e agravado pelas funções que desempenha. Mas digamos que em função da gravidade das acções acima descritas e perante os fortes indícios que o poderiam envolver em tais actos, não me admira alguém com a experiência política do ministro tenha perdido a cabeça: a provar-se o seu envolvimento, num país civilizado tal corresponderia ao fim da sua carreira política e constituiria forte machadada na credibilidade do governo. Além de tudo o mais, parece que "espiolhar" a vida privada de jornalistas e dirigentes de grupos de comunicação se tinha tornado no "core business" e "way of doing the things" dos serviços portugueses de inteligência. Fraca inteligência, pois claro, que por isso mesmo não merece tanto dinheiro investido. 

Terça-feira, Maio 29, 2012

Grand Prix (6)

"Les haricots sont pas salés" - old time cajun music (17)

Cleoma Falcon - "J'ai Passé Devant Ta Porte"

Lagarde e os miserabilismos

Arriscando ser politicamente incorrecto, que me atirem ovos podres e etc e tal, devo dizer que não acho nenhum escândalo Christine Lagarde, enquanto responsável máxima de uma instituição como o FMI, ganhe 380 mil euros líquidos por ano. Confesso estar farto de miserabilismos e de tudo ser medido pelo seu custo e não em função de uma análise custo-benefício, das responsabilidades que cada um assume e lhe são pedidas, dos resultados alcançados e por aí fora. Digo mais: fiquei estarrecido quando li nos jornais, em títulos mais ou menos acusatórios, o facto do Estado português ter gasto meia-dúzia de milhões de euros para assegurar o repatriamento dos seus nacionais no caso do conflito na Guiné-Bissau ter dado ainda mais "para o torto". Se isso tivesse acontecido e os nossos concidadãos tivessem sido abandonados à sua triste sorte, gostaria de ver o que se não diria.

Mas voltando a Christine Lagarde... Escandalosas são as suas afirmações demagógicas e populistas a propósito da Grécia, dos gregos e dos seus impostos. Escandalosas, populistas e, pior, politicamente desadequadas para a resolução da crise da UE. Mas, devo também dizer, tal coisa tem a ver com o cargo que exerce e é independente do ordenado que ganha, o que significa essas afirmações seriam igualmente censuráveis e politicamente inadequadas se Lagarde ganhasse mil, cem ou trabalhasse "pro bono": com elas apenas demonstrou não estar à altura das responsabilidades do cargo para a qual foi nomeada. Portanto, se for necessário pagar um ou dois milhões para a substituir por alguém competente, façam favor. Já tarda.

Segunda-feira, Maio 28, 2012

As capas de Cândido Costa Pinto (78)

Capa de CCP para "O Bando Terrível", de Edgar Wallace, nº 106 da "Colecção Vampiro"

O inenarrável presidente do ACP

Não sei se as nova regulamentação para o trânsito no Marquês de Pombal e na Avenida da Liberdade vai ou não resolver alguns dos problemas de congestionamento de tráfego e poluição no sector. Veremos o que nos vai ensinar o previsto período experimental. Mas o que sei é que não tenho paciência para aturar os dislates permanentes do inenarrável presidente do ACP, Carlos Barbosa, desde o querer processar os políticos dos anteriores governos até ao afirmar agora, e a propósito das tais modificações na circulação automóvel, que "acabar com a poluição é facílimo: façam um eléctrico rápido do Marquês até ao Rossio ou ao Terreiro do Paço e deixam de ter este problema”. Será que não lhe ocorre que o tal eléctrico rápido já existe, chama-se Metropolitano e tem uma linha que vai exactamente do Marquês de Pombal aos Restauradores e à Baixa-Chiado, com uma estação a meio da Avenida, estando aquelas duas estações a cerca de 200 metros do Rossio e do Terreiro de Paço, respectivamente? Mas acho não deve ter percebido, ou então acha que quem utilizar o eléctrico rápido pode pedir ao guarda-freio que pare ali num instantinho à porta da Louis Vuitton para comprar uma carteira. Haja pachorra...

Gilbert & Sullivan (12)

Gilbert & Sullivan - "Trial By Jury"
"The Question gentlemen Is..." 

Domingo, Maio 27, 2012

Rock n' Roll Renegades (6/6)

Pequenas notas de um domingo à tarde (5) - o Senhor Presidente

Então andam o Senhor Presidente mais a sua Maria tão entretidos lá por Timor, Indonésia, Austrália e Singapura (a Lua é um pouco mais longe, mas, enfim, até o Senhor Presidente tem limitações, compreendem...?) e alguém se vai lembrar de lhe perguntar sobre o caso das secretas, o ministro Relvas e mais não sei o quê? Então isso é coisa que se faça ao Senhor Presidente, sempre tão preocupado com a sua imagem e em ficar na História como grande e patriótica personalidade, perguntar sobre um assunto que fede à distância? Tanto que o cheiro até se deve sentir no avião do Senhor Presidente, mesmo que lá nos longínquos céus do Índico? Então já não bastava o Senhor Presidente ter sido apanhado pelo desconforto do raio desta crise (sim, ele que apesar de ter sido primeiro-ministro dez anos e Senhor Presidente há... há... ??? até em nada contribuiu para o estado actual do país), e ainda lhe vão fazer perguntas dessas, tão "custosas"? Oh, Bárbara Baldaia, mas então não se via logo que o Senhor Presidente, que não tem acesso à "net", nem ao telemóvel, coitado, até porque ambos podem estar sob escuta (o que fazem ao Senhor Presidente, que horror, tantas maldades), só quando chegasse a Portugal  ia "olhar para esse dossier com olhos de ver"? Que quer que o Senhor Presidente diga, que o Senhor Presidente faça? Agora que José Sócrates já não lhe ensombra o caminho, "rien", pois claro, como terá escrito o Senhor Luís XVI no seu diário enquanto Paris e Versailles caminhavam já no futuro.

Pequenas notas de um domingo à tarde (4) - o Banco Alimentar Contra a Fome

Tenho-me mantido fiel aos meus princípios e depois destas afirmações políticas de Isabel Jonet de ataque ao Estado Social deixei de contribuir para o Banco Alimentar Contra a Fome, uma ideia e uma organização que até aí tinham sempre merecido a minha simpatia e colaboração. Este fim de semana lá tive de explicar novamente aos voluntários da organização presentes no supermercado as razões da minha recusa. E confesso tenho mesmo pena de ter sido obrigado a esta decisão. Paciência...